Sociedade ON
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Voltar
Home/Destaque 3/Programa inspirado em Nego Bispo leva saberes ancestrais para escolas
Destaque 35 de mai. de 2026

Programa inspirado em Nego Bispo leva saberes ancestrais para escolas

Por Victor TapiocaPublicado 05/05/2026
Programa inspirado em Nego Bispo leva saberes ancestrais para escolas

Foto: Escola Nacional Nego Bispo

Inspirado no legado do intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, referência nacional na valorização dos saberes tradicionais e na crítica às estruturas coloniais do conhecimento, um novo programa educacional vem ganhando força em todo o país com a missão de transformar a formação de professores e aproximar a educação brasileira das raízes culturais de seus povos. Trata-se do Programa Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais, iniciativa que une ciência, ancestralidade e interculturalidade em uma proposta inédita de ensino.

Criado a partir de edital do Ministério da Educação e coordenado nacionalmente pelo Instituto Federal da Bahia, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão, o programa já está em execução e contempla 100 projetos de extensão distribuídos por todas as regiões do Brasil. Cada proposta recebe investimento de até R$ 41,6 mil, fortalecendo a formação de estudantes de licenciatura, professores da educação básica e comunidades tradicionais.

Integrada à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola, a iniciativa busca enfrentar uma dívida histórica da educação brasileira: a efetiva implementação das leis que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira, indígena e quilombola nas escolas. Os projetos desenvolvidos abordam desde artes, línguas e narrativas até memórias, oralidade e cosmociências, valorizando conhecimentos muitas vezes invisibilizados pelos currículos tradicionais.

Um dos grandes diferenciais do programa está no reconhecimento de mestres e mestras dos saberes tradicionais como formadores dentro do ambiente acadêmico, atuando lado a lado com professores e pesquisadores. Segundo a reitora do IFBA, Luzia Mota, é a primeira vez que a Rede Federal de Educação é mobilizada de forma estruturada para integrar, de maneira orgânica e sistêmica, os saberes afro-brasileiros, indígenas e quilombolas à formação docente em escala nacional.

Com investimento de R$ 7,5 milhões até 2027, a Escola Nacional Nego Bispo já é vista como um marco na descolonização do currículo brasileiro e na construção de uma educação mais plural e representativa. Para Joana Maria Bispo, o programa mantém viva a essência do pensamento deixado por seu pai: a de que o conhecimento nasce da coletividade, da ancestralidade e da partilha. Um legado que agora ecoa em salas de aula, territórios tradicionais e instituições de ensino de norte a sul do país.

Ouvindo
Rádio Sociedade da Bahia