Caminhada cobra justiça pela morte de Léo Lanches
Ato reuniu parentes, amigos e vizinhos do comerciante morto durante uma ação policial. A PM fala em confronto, familiares afirmam que ele foi baleado ao chegar em casa.
Foto: Rogério Alves
Familiares, amigos e moradores do bairro de São Cristóvão realizaram, na manhã deste sábado (1º), uma caminhada em homenagem ao vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, de 33 anos, conhecido como "Léo Lanches". O grupo saiu do bairro em direção ao Parque de Exposições, na Avenida Paralela, para pedir justiça e cobrar a elucidação da morte do empreendedor.
Leonardo morreu durante uma ação da Polícia Militar, na noite de 23 de julho. O caso é cercado por versões divergentes. De acordo com a Polícia Militar, houve confronto durante a ocorrência. Já familiares e moradores afirmam que não houve troca de tiros e sustentam que Léo foi baleado em frente à própria residência, no momento em que chegava do trabalho.
Durante a manifestação, a vizinha de Leonardo, Cíntia Maria de Jesus, falou sobre a comoção da comunidade e descreveu o perfil do jovem.
"Léo era uma pessoa íntegra, pessoa de bem, não se misturava com pessoas erradas, trabalhador. Ele respeitava todo mundo, brincava com todo mundo. A gente conhecia ele desde pequeno, pessoa ótima, entendeu? Mas tiraram a vida dele, inocente, em pleno dia sem energia."
O pai da vítima, Darino Lima, também participou da caminhada e fez um apelo por responsabilização dos envolvidos.
"Eu espero que o governo resolva esse problema para prender essa mulher [policial], tirar a farda dela e encostar ela, entendeu? E ficar com ela no quartel, guardando ela, escondendo sobre o povão. Meu filho Era um homem digno, um homem que começou a trabalhar com 7 anos fazendo linha no mercado", disse bastante emocionado.
O pai também relatou como encontrou Leonardo na noite da ocorrência. Segundo ele, a localidade estava sem energia elétrica quando recebeu o chamado da família.
"A mãe de meus filhos estava conversando com o pessoal no escuro... ela viu um tombo, ela me chamou... achei que Léo caiu ali com a moto no portão. Quando eu cheguei lá, meu filho estava no chão estirado. Quando eu olhei, eu vi ele já todo cheio de sangue. Aí fiquei em cima abraçado com ele", afirmou.
Darino ainda denunciou que ele e outros familiares teriam sido agredidos durante o deslocamento para o hospital.
"Um policial branco, que estava dentro da viatura, jogou o spray de pimenta na minha cara, até hoje meu olho tá ruim. Eu e minha filha e a esposa e meu filho que é minha nora", denunciou.
O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. Os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades operacionais, e as imagens registradas pelas câmeras corporais serão analisadas durante a apuração.
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